vigésima quarta crónica de Wien
Andar a pé pela cidade, seguir pela rua que mais me apetece, sem mapa, sem ninguém sem tempo. Foi como despedir-me de um lugar que afinal ainda não conheço. E foi, na verdade assim, fazendo isto, vagueando, que percebi o pouco que provei desta cidade.
Cada passada… não sei se foi em cada passada que vi isto. Mas a caminhada em geral foi o apanhado da minha estadia aqui. Atravessar um espaço regular, vulgar para quem cá vive e para mim também – como um erro de perspectiva que já é tarde demais para corrigir. É muito bonito. É muito bonita. É diferente. É diferente. Mas não me atravessa. Mas não me atravessa. Sou eu que o atravesso, sou eu que o faço mexer e se paro, pára. Sou eu que a atravesso, sou eu que a faço mexer e se paro, pára.
Esquerda,… direita,… esquerda,… direita,… esquerda,… direita,… esquerda,… direita…
As lágrimas quase me rompiam dos olhos. Estou de partida. E o que mais me prende é o tempo em que estive sozinha com a cidade. O maior tempo de todo o que estive aqui. Foram horas e horas de solidão. De uma boa solidão, talvez. Mesmo entre as ruas, entre a gente, mesmo como agora em que está alguém no compartimento ao lado.
Dormi no Burggarten, lavei-me no lago antes de tudo acordar, só a cidade, o frio e eu. Andavam todos à minha procura mas já não me viram, porque já lá não estava.





